sábado, 4 de outubro de 2008

O Português como língua segunda e estrangeira

Tem havido muita dificuldade na distinção entre língua segunda e estrangeira. Veja como os autores mencionados abordam a questão de forma simples. Depois podemos discutir em grupos para aclarar as ideias.


A língua portuguesa em Moçambique é conhecida e falada por uma pequena parte da sua população ( cerca de 40%), e também é uma língua não-materna para a maior parte dos seus falantes.
Por esta razão há uma necessidade de se fazer a distinção entre língua estrangeira e segunda. Embora nos dois casos se trate de línguas não-maternas.
As línguas estrangeiras distinguem-se pelo facto de serem aprendidas por via instrucional, com exposição à língua-alvo no contexto restrito da sala de aulas;
As línguas segundas são adquiridas em ambiente natural, com exposição à língua-alvo não só na sala de aula como no seio da comunidade em que vivem os aprendentes.

A aquisição das L2 pode decorrer:
Em comunidades de falantes nativos (como por exemplo acontece com os emigrantes que aprendem uma L2 no país em que esta é a língua materna(1) da comunidade;
Em comunidades em que a L2 é também uma língua não-materna para a maior parte dos seus membros ( como acontece nas sociedades pós-coloniais, em que a língua pós-colonial não é tipicamente a L1 da comunidade que a fala).

Devido a fraca implantação rural e um desenvolvimento urbano tardio,o português em Moçambique aparece, em simultâneo com estatuto de língua estrangeira e de língua segunda, no meio rural e no meio urbano, respectivamente.

Como é que se explica?

No meio rural prevalece o uso das línguas locais, da família bantu, e o principal input é fornecido em contexto instrucional por isso o português é tomado como língua estrangeira.
No meio urbano o português cumpre funções fundamentais na comunicação pública e já faz parte do ambiente linguístico dos alunos que entram para a escola, aí deve ser considerado língua segunda.
No primeiro caso, o input é basicamente fornecido pela escola, isto é, não há praticamente exposição à língua-alvo fora do ambiente escolar.
No segundo caso, os aprendentes estão imersos numa comunidade linguística com um reportório verbal complexo.
Estes aspectos tornam pertinente uma boa preparação e sensibilização dos professores para a diversidade que caracteriza as várias comunidades falantes, isto é, o professor deve saber manipular as várias “normas” dos aprendentes.

Linhas de discussão
1. O que entende por língua materna?
2.
Como define língua estrangeira?
3. Como define língua oficial/ de instrução/ de unidade nacional?
4. Como define língua segunda?
5. O que marca a distinção entre língua estrangeira e língua segunda?
6. O português em Moçambique tem até aos nossos dias, em simultâneo, o estatuto de língua estrangeira e língua segunda.
a)Explicite dando exemplos.
Que soluções julga viáveis para o problema do ensino do português em Moçambique

Fonte:
GONÇALVES, Perpétua e STROUD, Christopher, Panorama do Português oral de Maputo, Volume IV, Vocabulário básico do português ( espaço, tempo e quantidade), Contextos e prática pedagógica, cadernos de pesquisa nº 36, INDE, Maputo.

1 comentário:

Tondinho disse...

Oi Stela, receba, desde já as minhas cordiais saudações.
Acho interessantes as questões aqui colocadas, sobretudo quando se pensa na situação do nosso Moçambique real.
Falando concretamente do português em Moçambique, torna-se difícil definir o seu real status: Primeiro porque de acordo com os dados já disponibilizados no site do INE, esta é LMaterna de mais de 10% da população da primeira idade, principalmente nas cidades. Porém, nas zonas rurais assume dois estatutos distintos: Uma língua segunda, pois é aprendida no contexto de escolarização e utilizada em instituições públicas; ou ainda uma língua «estrangeira», basicamente para a população adulta, das zonas mais recônditas. Veja-se que neste caso, se alguém aparece a falar português, para ser compreendido, precisa de levar consigo um tradutor, o que significa que a língua que se fala, apesar de politicamente ser definida como a língua oficial, de unidade nacional, não serve para a comunicação, é uma língua estranha.
SÃO COISAS QUE ACONTECEM NESTE NOSSO VASTO MOÇAMBIQUE.

E, mesmo tendo contribuido, acho que não pude ajudar, pois tambºém estou a precisar de mais informação sobre o assunto.

O DEBATE ESTÁ NO AR...